Um Blog dedicado a Germano José de Amorim, notável Jurista, Jornalista e Político Português, que se definia a si mesmo como Republicano, Laico e Livre Pensador.

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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

GERMANO JOSÉ DE AMORIM


Germano José de Amorim nasceu na freguesia de Mazedo, Monção, a 7 de Abril de 1880. Estudou em Guimarães e na Universidade de Coimbra. Foi um dos líderes do movimento académico de 1907, que se iniciou em 28 de Fevereiro com o protesto impetuoso contra a reprovação do candidato José Eugénio Dias Ferreira às provas magnas de doutoramento. Tratava-se apenas de um pé-de-cantiga, pois os «estudantes, ao entrarem em greve no mês de Março de 1907, vieram insurgir-se afinal contra uma enfermidade quase crónica da escola lusitana, a qual, através dos tempos, fora gerando a insatisfação dos espíritos mais válidos e inconformistas, causando o pasmo cultural do país, desprestigiando-o no estrangeiro, enfraquecendo-lhe a estrutura económica, anemiando-lhe o organismo social». (1) O Conselho de Decanos expulsou os estudantes Alberto Xavier, Campos de Lima, Carlos Olavo, Freitas Preto, Pinho Ferreira, Pinto Quartim e Ramada Curto. A Universidade reabriu as suas portas por decretos governamentais datados de Maio. Foram concedidos os exames pelo governo franquista, mas dependiam de petição escrita por cada estudante para não perder o ano. No final do processo, numa manifestação de solidariedade para com os condiscípulos riscados, cento e sessenta alunos dos cursos de Direito, Medicina, Preparatórios Médicos, Filosofia e Matemática, recusaram-se «altiva e nobremente a requerer a matrícula para efeitos de exames.» (2) Entre eles, estava Germano José de Amorim, aluno do quarto ano da Faculdade de Direito. A rebeldia dos Intransigentes não foi em vão: a lei que amnistiou os estudantes que tinham sido obrigados a abandonar a Universidade não tardou para o demonstrar. Germano Amorim, depois de concluir o curso, ocupou o cargo de Notário no Cartório dos Arcos de Valdevez (1909) e exerceu a advocacia e o jornalismo com grande popularidade. Foi Director dos jornais arcoenses «Avante: pela Pátria e pela República» (1910-1911), «O Vez: órgão do Centro Republicano Democrático Arcoense» (1912.1914), «A Trombeta: semanário republicano» (1920) e deixou colaboração dispersa em vários periódicos do Alto Minho. Em 1922, foi eleito deputado pelo círculo n.º 3 (Braga). Fez parte da Comissão de Infracções e Faltas e de Correios e Telégrafos. Mostrou interesse pelos processos de concessão de quedas da água, por melhoramentos na doca de Viana, pela rectificação das margens do Rio Lima e pela inovação da agricultura na região minhota. Criou um projecto de lei com o objectivo de ceder «à Câmara Municipal de Vieira do Minho o prédio que foi residência paroquial da freguesia de Roças, com o passal da mesma freguesia, para a instalação duma escola agrícola» (3) e assinou outro de camaradagem com o deputado Teófilo Carneiro que tinha em vista instituir «um adicional de 15 por cento nos concelhos do distrito de Viana do Castelo, sobre as contribuições industrial e predial e impostos sobre aplicação de capitais o valor de transacções, destinado à Junta de obras do Porto de Viana e Rio Lima.» (4) Ao longo da sua vida, não deixou morrer os velhos ideais e manteve-se sempre ao lado do povo. Faleceu a 12 de Janeiro de 1971.

NOTAS

(1) Mário Braga, Prefácio à obra de Natália Correia, A Questão Académica de 1907, Editorial Minotauro, Lisboa, s/d, pp. 9-10
(2) Alberto Xavier, História da Greve Académica de 1907, Coimbra Editora, Coimbra, 1962, pg. 277
(3) Diário da Câmara dos Deputados, Sessão de 21 de Janeiro de 1925.(4) Diário da Câmara dos Deputados, Sessão de 4 de Março de 1925.



segunda-feira, 4 de outubro de 2010

AS COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA EM ARCOS DE VALDEVEZ



As comemorações do dia 5 de Outubro inserem-se na programação do Concelho de Estado e contemplam no dia 4, a inauguração da exposição "Arcos de Valdevez e a República" e a exibição do documentário "Republicanos Arcoenses" e na terça-feira (5 de Outubro) as Cerimónias Protocolares de comemoração do Centenário da República, a romagem e deposição de coroa de flores, em homenagem aos republicanos arcoenses, no cemitério Municipal, e a inauguração da Avenida 5 de Outubro e da Rotunda da República, com representação escultórica de Amália Rodrigues e alocução de Armando Malheiro da Silva (Faculdade de Letras da UP), na EN202/Rotunda de Guilhadeses.

Programa:

DIA 4 (segunda-feira)
21h30 • Inauguração da exposição "Arcos de Valdevez e a República".Local: Entrada principal da Casa das Artes.Exibição do documentário "Republicanos Arcoenses", antecedido de alocução de Isabel Cluny (CHC/UniversidadeNova de Lisboa).

DIA 5 (terça-feira)
09h30 • Cerimónias Protocolares de Comemoração do Centenário da República.Local: Praça Municipal.Hastear das Bandeiras, com a participação dos Bombeiros Voluntários, Corpo Nacional de Escutas de Arcos de Valdeveze Banda da Sociedade Musical Arcuense.
10h30 • Romagem e deposição de coroa de flores, em homenagem aos republicanos arcoenses.Local: Cemitério Municipal - S. Bento.
11h30 • Inauguração da Avenida 5 de Outubro e da Rotunda da República, com representação escultórica de Amália Rodrigues;alocução de Armando Malheiro da Silva (Faculdade de Letras da UP).Local: EN202/Rotunda de Guilhadeses.
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Republicanos Arcoenses Homenageados:
  • Germano José de Amorim;
  • José Cândido Gomes;
  • José de Sousa Guimarães;
  • Francisco Teixeira de Queiroz;
  • Tomaz Norton de Matos Prego.

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