Um Blog dedicado a Germano José de Amorim, notável Jurista, Jornalista e Político Português, que se definia a si mesmo como Republicano, Laico e Livre Pensador.

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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

GERMANO JOSÉ DE AMORIM


Germano José de Amorim nasceu na freguesia de Mazedo, Monção, a 7 de Abril de 1880. Estudou em Guimarães e na Universidade de Coimbra. Foi um dos líderes do movimento académico de 1907, que se iniciou em 28 de Fevereiro com o protesto impetuoso contra a reprovação do candidato José Eugénio Dias Ferreira às provas magnas de doutoramento. Tratava-se apenas de um pé-de-cantiga, pois os «estudantes, ao entrarem em greve no mês de Março de 1907, vieram insurgir-se afinal contra uma enfermidade quase crónica da escola lusitana, a qual, através dos tempos, fora gerando a insatisfação dos espíritos mais válidos e inconformistas, causando o pasmo cultural do país, desprestigiando-o no estrangeiro, enfraquecendo-lhe a estrutura económica, anemiando-lhe o organismo social». (1) O Conselho de Decanos expulsou os estudantes Alberto Xavier, Campos de Lima, Carlos Olavo, Freitas Preto, Pinho Ferreira, Pinto Quartim e Ramada Curto. A Universidade reabriu as suas portas por decretos governamentais datados de Maio. Foram concedidos os exames pelo governo franquista, mas dependiam de petição escrita por cada estudante para não perder o ano. No final do processo, numa manifestação de solidariedade para com os condiscípulos riscados, cento e sessenta alunos dos cursos de Direito, Medicina, Preparatórios Médicos, Filosofia e Matemática, recusaram-se «altiva e nobremente a requerer a matrícula para efeitos de exames.» (2) Entre eles, estava Germano José de Amorim, aluno do quarto ano da Faculdade de Direito. A rebeldia dos Intransigentes não foi em vão: a lei que amnistiou os estudantes que tinham sido obrigados a abandonar a Universidade não tardou para o demonstrar. Germano Amorim, depois de concluir o curso, ocupou o cargo de Notário no Cartório dos Arcos de Valdevez (1909) e exerceu a advocacia e o jornalismo com grande popularidade. Foi Director dos jornais arcoenses «Avante: pela Pátria e pela República» (1910-1911), «O Vez: órgão do Centro Republicano Democrático Arcoense» (1912.1914), «A Trombeta: semanário republicano» (1920) e deixou colaboração dispersa em vários periódicos do Alto Minho. Em 1922, foi eleito deputado pelo círculo n.º 3 (Braga). Fez parte da Comissão de Infracções e Faltas e de Correios e Telégrafos. Mostrou interesse pelos processos de concessão de quedas da água, por melhoramentos na doca de Viana, pela rectificação das margens do Rio Lima e pela inovação da agricultura na região minhota. Criou um projecto de lei com o objectivo de ceder «à Câmara Municipal de Vieira do Minho o prédio que foi residência paroquial da freguesia de Roças, com o passal da mesma freguesia, para a instalação duma escola agrícola» (3) e assinou outro de camaradagem com o deputado Teófilo Carneiro que tinha em vista instituir «um adicional de 15 por cento nos concelhos do distrito de Viana do Castelo, sobre as contribuições industrial e predial e impostos sobre aplicação de capitais o valor de transacções, destinado à Junta de obras do Porto de Viana e Rio Lima.» (4) Ao longo da sua vida, não deixou morrer os velhos ideais e manteve-se sempre ao lado do povo. Faleceu a 12 de Janeiro de 1971.

NOTAS

(1) Mário Braga, Prefácio à obra de Natália Correia, A Questão Académica de 1907, Editorial Minotauro, Lisboa, s/d, pp. 9-10
(2) Alberto Xavier, História da Greve Académica de 1907, Coimbra Editora, Coimbra, 1962, pg. 277
(3) Diário da Câmara dos Deputados, Sessão de 21 de Janeiro de 1925.(4) Diário da Câmara dos Deputados, Sessão de 4 de Março de 1925.



segunda-feira, 4 de outubro de 2010

ILUSTRES REPUBLICANOS ARCOENSES





Informação detalhada em:


AS COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA EM ARCOS DE VALDEVEZ



As comemorações do dia 5 de Outubro inserem-se na programação do Concelho de Estado e contemplam no dia 4, a inauguração da exposição "Arcos de Valdevez e a República" e a exibição do documentário "Republicanos Arcoenses" e na terça-feira (5 de Outubro) as Cerimónias Protocolares de comemoração do Centenário da República, a romagem e deposição de coroa de flores, em homenagem aos republicanos arcoenses, no cemitério Municipal, e a inauguração da Avenida 5 de Outubro e da Rotunda da República, com representação escultórica de Amália Rodrigues e alocução de Armando Malheiro da Silva (Faculdade de Letras da UP), na EN202/Rotunda de Guilhadeses.

Programa:

DIA 4 (segunda-feira)
21h30 • Inauguração da exposição "Arcos de Valdevez e a República".Local: Entrada principal da Casa das Artes.Exibição do documentário "Republicanos Arcoenses", antecedido de alocução de Isabel Cluny (CHC/UniversidadeNova de Lisboa).

DIA 5 (terça-feira)
09h30 • Cerimónias Protocolares de Comemoração do Centenário da República.Local: Praça Municipal.Hastear das Bandeiras, com a participação dos Bombeiros Voluntários, Corpo Nacional de Escutas de Arcos de Valdeveze Banda da Sociedade Musical Arcuense.
10h30 • Romagem e deposição de coroa de flores, em homenagem aos republicanos arcoenses.Local: Cemitério Municipal - S. Bento.
11h30 • Inauguração da Avenida 5 de Outubro e da Rotunda da República, com representação escultórica de Amália Rodrigues;alocução de Armando Malheiro da Silva (Faculdade de Letras da UP).Local: EN202/Rotunda de Guilhadeses.
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Republicanos Arcoenses Homenageados:
  • Germano José de Amorim;
  • José Cândido Gomes;
  • José de Sousa Guimarães;
  • Francisco Teixeira de Queiroz;
  • Tomaz Norton de Matos Prego.

quinta-feira, 18 de março de 2010

GERMANO AMORIM NO CARDEAL SARAIVA


(Clicar na imagem para uma visualização mais nítida).

O Dr. Germano Amorim, com toda a Justiça, vem sendo cada vez mais Conhecido, Referido e Reconhecido.
Aqui está uma publicação do dia 12 de Março de 2010, ou seja, de sexta-feira passada, no jornal "Cardeal Saraiva".

quarta-feira, 10 de março de 2010

RODRIGO BARREIROS MARTINS DA COSTA


Rodrigo Barreiros Martins da Costa

Nasceu em Arcos de Valdevez (Salvador) em 1886, onde viveu e veio a falecer, em 24.11.1948.
Filho de Virgílio Martins da Costa (n. 12.05.1854 - Viseu) e de D. Maria da Conceição Pereira Barreiros (n. 04.03.1861 - Arcos de Valdevez).
Casou com D. Alice Dias Borges Pacheco (n. 07.08.1882 - Arcos de Valdevez) e viveu na Casa Lapa.

Integrou o grupo dos Republicanos de Arcos de Valdevez, liderado pelo Dr. Germano Amorim, casado com sua prima D. Joaquina Cândida de Araújo Dias, conjuntamente com os seus primos António da Silva Dias, Alfredo Brito Lima e os irmãos Caetano de Faria Lima e Narciso de Faria Lima, Dr. Tomás Norton de Matos, casado com sua prima D. Maria da Conceição Machado da Silva Dias e, também, com Dr. Guimarães, Manuel Pimenta, Albano Azevedo Amorim, Américo Esteves, entre muitos outros.

O Café Vieira na Valeta, que durante muitos anos foi ponto de encontro de Republicanos, era o ponto de encontro dos Republicanos, o que não deixa de ser curioso, uma vez que o seu dono era defensor da Monarquia.
A farmacia central fundada pelo Major Loureiro (Capitão-Tenente da Armada Real - Farmaceutico) foi tambem um local estratégico para reunião de Republicanos em Arcos de Valdevez, e de forma marcante, claro, a casa da Falperra (residência do Dr. Germano Amorim).

Porém há muitas mais figuras, essas sim esquecidas no meio…” conforme diz o Germano Manuel Amorim, bisneto de Germano Amorim.

NOTA: O Texto sobre Rodrigo Barreiros Martins da Costa, é da autoria do amigo José António da Costa Rodrigues Alves.

Genealogia: http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=337962

quarta-feira, 3 de março de 2010

COMEMORAR A REPÚBLICA

Quero comemorar a República cujos expoentes máximos eram idealistas e morreram pobres , recordar os homens honrados que separaram a Igreja do Estado, que herdaram um povo com 75% de analfabetos e quiseram fazer da instrução pública a pedra angular de um país, que se empenharam em alterar um sítio de vassalos servis, pobres e beatos, para fazerem uma pátria de cidadãos.

Quero recordar os legisladores que instituíram o divórcio, o registo civil obrigatório e que acabaram com os títulos nobiliárquicos. Quero honrar os que decretaram o direito à greve, estabeleceram um dia de descanso semanal obrigatório, as 8 horas de trabalho e o seguro social contra desastres no trabalho.

Quero festejar a República, recordando os capitães de Abril, que restituíram ao povo a liberdade confiscada pela ditadura fascista. Quero comemorar a queda da monarquia e o fim do poder vitalício e hereditário, para celebrar os avanços da história e o futuro, sem os pesadelos do presente.

Quero celebrar uma República onde finalmente não subsistam desigualdades de género e a democracia não se deixe capturar por corporações profissionais e oligarquias, uma república cujo poder resulte do sufrágio livre e esclarecido, sem caciques nem truques.

Quero esquecer o pesadelo dos dias que correm e ressarcir-me no exemplo honrado dos que legaram uma bandeira, um hino, o exemplo e a ética republicana.

O JORNAL DA REPÚBLICA DA "TSF"



Jornal da República na rádio TSF - (106.5).

"No Jornal da República da TSF, cabe a entrevista, a reportagem, o debate, as fichas de leitura, a agenda dos tantos eventos que se anunciam para celebrar, em 2010, o centenário da República em Portugal."

Uma edição de Fernando Alves e Herlander Rui, jornalistas da TSF.

Aos domingos, às 10h00, com repetição à meia-noite de domingo para segunda-feira.

Link para o portal:

http://tsf.sapo.pt/Programas/programa.aspx?content_id=1465206&audio_id=1499095

NOTA: Para ouvir as emissões, clicar na secção "Arquivo de Emissões".

terça-feira, 2 de março de 2010

JORNAL "REPÚBLICA"

O CARTÃO DE GERMANO AMORIM DE
APOIANTE E DE MANDATÁRIO DE CAMPANHA DE
À CANDIDATURA DE HUMBERTO DELGADO

HUMBERTO DELGADO

Bilhete Postal de propaganda de 1921 ao Jornal República

BENTO AMORIM
O Cartão de Assinante e de Correspondente do Jornal "República" em Arcos de Valdevez de Bento Amorim.

O jornal "República", destacado protagonista do ideário republicano e laico do 5 de Outubro! O diário destacou-se na luta possível contra a ditadura salazarista. Ligado a figuras de relevo da maçonaria portuguesa, o jornal sobreviveu à instauração do Estado Novo Salazarista.

GERMANO AMORIM E OS JORNAIS DA REPÚBLICA





Germano Amorim também foi jornalista, deixando uma colaboração dispersa em várias publicações do Alto Minho. Paralelamente a isso, também dirigiu vários jornais nacionais e arcuenses, como o «Avante: pela Pátria e pela República» (1910-1911), "O Vez": órgão do Centro Republicano Democrático Arcoense» (1912.1914), "A Trombeta": semanário republicano (1920), "Alvorada do Vez": órgão do Centro Republicano Democrático Arcoense e "A Voz do Minho".

Germano Amorim foi quem maior número de jornais dirigiu durante o período de implantação da República em Arcos de Valdevez.

sábado, 27 de fevereiro de 2010


DR. GERMANO AMORIM

Biografia


Germano Amorim (7 de Abril de 1880 - 12 de Janeiro de 1971) foi um jurista, jornalista e político português. Definia-se a si mesmo como republicano, laico e livre pensador.

Germano José de Amorim, conhecido por Germano Amorim, ou, Dr. Germano, nasceu na freguesia de Mazedo, Monção. Casou, no dia 11 de Setembro de 1909, com D. Joaquina Cândida Araújo Dias Amorim, natural da freguesia de Valadares (Monção), sendo uma das herdeiras da Casa da Amiosa da mesma freguesia do Concelho de Monção. Tiveram como filhos Bento Manuel de Araújo Amorim, Maria Albertina de Araújo Amorim Cerqueira, Virgínia Cândida de Araújo Amorim, Maria Júlia de Araújo Amorim de Sousa.[1]

Germano Amorim concluiu os seus estudos liceais em Guimarães. Viria a ser fundamental a ajuda do seu irmão, que era padre e residia naquela cidade exercendo lá o seu mister.

Licenciou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra no ano de 1905. Durante esse período viria a dar os seus primeiros passos na actividade política que viria a revelar-se rica.

Simultaneamente continua a sua actividade política em Arcos de Valdevez iniciada nos meios intelectuais e revolucionários da época na cidade académica de Coimbra. O contacto com intelectuais e nomes de referência da época, foram-lhe aguçando o gosto pela res publica, não mais tendo deixado de cessar a sua activíssima vida política. Iniciado na maçonaria na Loja Pátria, do Grande Oriente Lusitano, em Coimbra e Carbonário. Em 1907, foi um dos mais importantes activistas da celebérrima Greve Académica de Coimbra em 1907. Em 1909 Viria a estabelecer-se em Arcos de Valdevez tendo inicialmente assumido as funções de Notário no Cartório Notarial de Arcos de Valdevez.

Seria porém no exercício da advocacia que viria a notabilizar-se, sendo unanimemente considerado um tribuno de excelência. Em 23 de Outubro de 1910 Germano Amorim, cria o Centro Republicano Teixeira de Queiroz, que seria o primeiro em Arcos de Valdevez, mas que nunca chegaria a ser oficializado, sendo por isso, a 14 de Janeiro de 1912, novamente por iniciativa de Germano Amorim, substituído pelo Centro Republicano Democrático Arcoense e este sim, viria a perdurar. A criação deste Centro tinha como principal fim propagar as ideias democráticas e manifestar a sua oposição ao Administrador então nomeado. De referir que Germano Amorim era membro do Partido Democrático, considerado mais progressista que outras facções republicanas. Pertenciam a este Centro Republicano prestigiosos nomes locais tais como Tomaz Norton de Matos (médico e irmão do General Norton de Matos que mais tarde viria a notabilizar-se na política nacional), António da Silva Dias, Manuel Pimenta, Albano Azevedo Amorim, Alfredo Brito Lima, Américo Esteves, entre muitos outros.

Em 1922 foi eleito deputado da nação pelo círculo eleitoral de Braga nas listas do Partido Democrático, tendo exercido essas funções até ao ano de 1925 entre a 6.ª e 7.ª legislaturas.

Exerceu as funções de Presidente e de Presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez. No exercício deste cargo notabilizou-se a instalação, decorria o ano de 1925, da luz eléctrica em Arcos de Valdevez.

Foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Arcos de Valdevez, sendo o responsável pela criação das famosas cédulas, com um valor monetário variável, para serem inutilizadas em prol da Santa da Misericórdia de Arcos de Valdevez e da sua benemérita obra.

Além do mais, viria a notabilizar-se ainda como jornalista. Foi director de cinco jornais nos quais se incluem os seguintes:

  • O Avante;
  • Alvorada do Vez;
  • O Vez (também viria ser dirigido por Germano Amorim, José Cândido Gomes e Narciso de Faria Lima);[2]
  • A Trombeta (do qual viriam ainda a ser directores Álvaro de Aguiam e Camilo José de Carvalho);[3]
  • A Voz do Minho (Foram ainda directores José de Sousa Guimarães, Celestino Pinto da Cunha e António Ramos).

Foi portanto quem maior número de jornais dirigiu durante o período de implantação da República em Arcos de Valdevez.

Além dos dados biográficos brevemente descritos e para aprofundar a sua exactidão, Germano Amorim notabilizou-se pelo seu enorme altruísmo e sentido de fraternidade para com os mais desfavorecidos, essencialmente na prática da sua profissão, por prestar os seus serviços causídicos pro bonum. Ajudou sempre quem mais necessitava e esteve sempre ao lado dos mais fracos que mereciam esse empenho.

Foi provavelmente a figura que mais se destacou em Arcos de Valdevez no período de implantação da República em Portugal.

As suas guerras com a facção distinta presidida por Sousa Guimarães, também conhecido por Dr. Guimarães, viriam a marcar a vida política local para sempre, constituindo alguns desses episódios autênticos actos de inspiração para o exercício dos cargos no poder local. Os dois viriam a compatibilizar-se no futuro contra o Estado Novo, contra Salazar, a 5 de Julho de 1931, através de uma aliança Republicano–Socialista, constituindo-se para tal efeito uma Grande Comissão constituída pelo Dr. Germano, Dr. Guimarães, Dr. Tomaz Norton de Matos, Caetano de Faria Lima, entre outros nomes notáveis da época que infelizmente também têm sido esquecidos da memória colectiva arcuense e nacional. Viria a aderir ao Partido Republicano Federal, que congregava as diferentes visões republicanas, principalmente com a união do Partido Democrático e do Partido Liberal Republicano.

Referências


  1. Geneall.pt. Germano José de Amorim (em português). Página visitada em 25 de janeiro de 2010.
  2. Publicações Periódicas Portuguesas. Página visitada em 25 de janeiro de 2010.
  3. Publicações Periódicas Portuguesas. Página visitada em 25 de janeiro de 2010.
Fonte - Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Germano_Jos%C3%A9_de_Amorim

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O CARTÃO QUE GERMANO AMORIM NÃO PASSOU A BARRETO


Cartão oferecido por Bissaya Barreto a Germano Amorim, quando eram colegas e companheiros de lutas na Universidade de Coimbra, fazendo parte da geração de estudantes da Greve Académica de 1907. Bissaya Barreto frequentava, na altura, o 1.º ano da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
Em Coimbra, Bissaya Barreto enquanto estudante, foi um republicano convicto. Com Germano Amorim, pertenceu, quando frequentava o 4.º ano de Medicina, ao comité civil da organização carbonária autónoma de Coimbra, "Carbonária Portugália", em Janeiro de 1910. Ao mesmo tempo, faz parte, em Coimbra, da loja maçónica Revolta (aliás, como todos os do comité de estudantes da Carbonária Portugália).
Participou, como delegado, no Congresso do Partido Republicano, realizado em Coimbra.
Após o golpe de Estado de 28 de Maio de 1926, Bissaya Barreto aderiu à União Nacional. O médico cultivou ao longo da vida uma longa e estreita amizade com António de Oliveira Salazar. Essa adesão e amizade, levou a que Germano Amorim se afastasse do seu antigo colega de lutas progressitas.
A nível político, Germano Amorim fez aquilo que se impunha, sendo posteriormente, destacado apoiante de Honra das candidaturas de Norton de Matos e de Humberto Delgado.

Com efeito, a obra de Bissaya Barreto conciliava elementos adversos, uns de inspiração modernista, como o seu excelente trabalho na medicina, outros de contornos fascistas, reflectindo o seu compromisso político com o reformismo autoritário, corporativista e ditatorial, que atingiu seu completo desenvolvimento teórico e prático na Itália Fascista, ajudando portanto, ao estabelecer de uma imensa quantidade de leis e organizações inspiradas do ideário corporativista, que conduziu o país ao isolamento, à polícia política, à violência, à censura, à ausência de liberdades públicas, ao atraso e miséria, e por último, à guerra. Existia a par de tudo isso, corrupção, (e de que maneira, abafada pela censura), nepotismo, muita pobreza, ignorância e isolamento arrogante.

Vivia-se então na ditadura salazarenta, a que o autor deste blog recusa dar o nome de segunda República.
"A Segunda República é esta em que vivemos depois do 25 de Abril, porque os princípios Republicanos essenciais são o princípio da supremacia de um parlamento legitimado pela vontade popular como órgão decisivo da organização do poder do Estado, sendo o outro princípio essencial, o princípio da limitação dos mandatos.”

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O DR. GERMANO AMORIM E O SELO COMEMORATIVO DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL

1ª Emissão Comemorativa da Independência de Portugal



Parecer que cria, pela Comissão da guerra, o selo comemorativo da Independência de Portugal.

O Dr. Germano Amorim e o seu importantíssimo contributo para a criação do selo comemorativo da Independência de Portugal, emitido pela primeira vez em 1926.

"Está em discussão o parecer n.° 923, que cria um selo comemorativo da independência de Portugal.
Foi lido. É o seguinte:
Parecer n.º 923
Senhores Deputados. - Pelo exame do projecto de lei n.º 917-0, respeitante à criação de um selo comemorativo da Independência de Portugal, verifica-se que se atendeu à celebração de duas datas notáveis e eminentemente patrióticas, sem qualquer encargo ou prejuízo para o Estado.
Verifica-se ainda que o mesmo projecto também visa a auxiliar três colectividades, a Liga dos Combatentes da Grande Guerra, a Sociedade Portuguesa da Cruz Vermelha e a Comissão dos Padrões da Grande Guerra, as quais têm sempre pugnado pelo bom nome de Portugal, e contribuído as duas primeiras para minorar dores e sofrimentos de muitos portugueses que souberam prestigiar a sua Pátria.
Por todos estes motivos, é a vossa comissão de correios e telégrafos de parecer que o projecto de lei de que se ocupa é inteiramente merecedor da vossa aprovação.
Sala das Sessões, 3 de Junho de 1925. - Américo Olavo - Custódio de Paiva - Germano Amorim - F. Dinis de Carvalho - Luís da Costa Amorim."


In - Diário da Câmara dos Deputados, 94ª sessão, 7 de Julho de 1925, pp. 4-7.

A Comissão Central 1° de Dezembro de 1640, fundada em 1861 para defender, propagandear e comemorar a Independência de Portugal e especialmente a Restauração de 1640, tinha em vista a aquisição do Palácio dos Condes de Almada, em Lisboa, para ali instalar um museu da Independência, assim como preparar para uma comemoração condigna, o 8° Centenário da Fundação de Portugal e 3° da Restauração da sua independência. Com o fim de conseguir fundos para a aquisição do palácio e para a prevista comemoração, resolveram emitir selos onde se reproduzissem os vultos mais notáveis da Fundação, Consolidação e Restauração da Independência, ou de factos mais importantes da nossa História, em sua defesa. A primeira série deste plano circulou em 1926 nos dias 13 a 14 de Agosto (data da Batalha de Aljubarrota), e 30 de Novembro a 1 de Dezembro (data da Restauração da Independência), mantendo-se a venda para fins filatélicos, até 28 de Setembro de 1927.

A emissão deste selo comemorativo da Independência de Portugal, que o Dr. Germano Amorim contribuiu de uma forma determinante, tinha por base dez selos. Foram desenhados por Eduardo Avelino Ramos da Costa. A gravura é de talha doce de George Harrisson e Norman Broad, na Thomas de la Rue, de Londres.

As cores da emissão de cada selo eram com o centro a preto e molduras com as cores que a imagem mostra. O primeiro selo a ser emitido foi de D.Afonso Henriques, de 4 centavos.

FONTE: http://www.primeirarepublica.org/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=435:1925-07-07&Itemid=17

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

POR QUE SOU REPUBLICANO

DR.GERMANO AMORIM

O Dr. Germano Amorim quando fazia aqui, nesta foto, parte do governo de Manuel Teixeira Gomes, que governou entre os governos de António José de Almeida e Bernardino Machado. José Domingues dos Santos era o Presidente do Conselho de Ministros do governo de Manuel Teixeira Gomes da Primeira República Portuguesa. José Domingues dos Santos pertenceu desde 1922, à Maçonaria e, como outros membros do seu governo, posteriormente manteve-se activo na oposição ao Estado Novo até ao início da década de 1950. Quando terminou a Segunda Guerra Mundial, a União Patriótica e Democrática, a que presidia, juntamente com o Dr. Germano Amorim, desenvolveu infrutiferamente intensa actividade junto dos governos dos Aliados com vista ao derrube do governo de Oliveira Salazar.



SOU REPUBLICANO porque acredito que a história da Humanidade comporta um sentido e que esse sentido tem o alcance de um reforço de Cidadania: enquanto membros de uma horda primitiva, os seres humanos foram os joguetes submissos de chefes brutais; enquanto súbditos de monarquias absolutas, a esmagadora maioria dos seres humanos foi alvo de violências vassálicas e de sujeições servis e de gleba; enquanto súbditos de monarquias constitucionais, a maior parte dos seres humanos sofreu toda a casta de discriminações censitárias e foi vítima do vexame de ser olhada como parte plebeia por aristocratas arrogantes e, na maior parte dos casos, sem méritos comprovados;

SOU REPUBLICANO porque a razão me demonstra que só sob o regime republicano estará plenamente garantido o sufrágio universal, cujo caminho se iniciou entre nós através da propaganda democrática de homens de cultura e de acção como o nosso ilustre Germano Amorim, Teófilo Braga, João Chagas, Manuel de Arriaga, António José de Almeida, Afonso Costa, José Falcão e tantos mais;

SOU REPUBLICANO porque quero lutar por um sistema político e social em que predomine cada vez mais o critério de eleição - e não de nomeação - e em que TODOS os cargos políticos não possam ser vitalícios e hereditários, devendo antes ser temporários e amovíveis;

SOU REPUBLICANO porque o estudo da História de Portugal me ensinou que as grandes reivindicações patrióticas, desde o repúdio do Ultimato inglês de 1890 à entrada em guerra, no primeiro conflito mundial, ao lado de potências democráticas como a França e a Inglaterra, foram causas assumidas pelo património de valores do republicanismo, ao passo que uma boa parte dos monárquicos do tempo foram passivos;

SOU REPUBLICANO porque quero para os meus filhos e netos um ensino público laico, ou seja, neutral em matéria religiosa. Isto significa que os meus valores me impedem de transigir com uma qualquer “religião de Estado”. A monarquia, mesmo na sua forma constitucional, nunca abraçou este princípio na nossa experiência histórica passada. A exigência da laicidade é hoje maior do que nunca, dado que o fenómeno da globalização nos fará viver cada vez mais num mundo plural de crenças e de culturas contrastadas. O Estado não deverá, assim, privilegiar uma forma de religião em detrimento de todas as demais, pois isso significaria que esse Estado estaria a privilegiar uma parcela de Cidadãos em detrimento dos demais;

SOU REPUBLICANO porque foi a República que instituiu um serviço público de registo civil, contemplando os momentos decisivos da vida humana: tornou obrigatórios os registos civis de baptismo, de casamento e de óbito. O que isto representou para o planeamento progressivo da Grei e para o reforço do princípio da solidariedade nacional foi (e é) verdadeiramente incalculável;

SOU REPUBLICANO porque foi a República que conseguiu reduzir as taxas de analfabetismo para patamares aceitáveis, sendo certo que em 5 de Outubro de 1910 cerca de três quartos da população portuguesa não sabia ler, nem escrever, nem contar;

SOU REPUBLICANO porque foi a República que permitiu o casamento civil e estatuiu o recurso ao divórcio, sempre que os cônjuges entendessem que a relação conjugal se tinha depreciado e tornado inviável;

SOU REPUBLICANO porque prezo e defendo a Res Publica, entendendo por isto a Casa Comum dos portugueses, o domínio público, o património edificado e imaterial que o nosso Povo foi construindo ao longo de gerações; e porque acredito, portanto, que o serviço público é o mais meritório e abnegado dos serviços que o Cidadão pode prestar, desde o do médico que trabalha num hospital público ao do professor que ensina numa escola pública ou ao do pedreiro que serve com a sua força de trabalho as obras públicas. Servir a Res Publica, a Coisa Pública, a Casa Comum dos portugueses, é contribuir, portanto, para a mais nobre e inviolável das causas: a causa da Democracia;

SOU REPUBLICANO porque não acredito em castas privilegiadas e não aceito servir famílias “notáveis”; a única família notável que reconheço é a dos portugueses no seu todo;

SOU REPUBLICANO porque outros títulos de nobreza que não sejam os do trabalho, do mérito, da qualidade de serviço e da honrada labuta quotidiana são por mim encarados como as excrescências de um mundo velho, apenas destinados a adornar o tecido social com ridículas fatuidades ou com pequenas vaidades inconsequentes;

SOU REPUBLICANO porque quero ver um Cidadão mandatado pela maioria dos meus Concidadãos no exercício da suprema magistratura da Nação e porque quero reservar para o universo desses Concidadãos a revogação desse mandato, sempre que tal cargo não seja exercido de acordo com os superiores interesses da Pátria (que somos todos nós);

SOU REPUBLICANO porque acredito que a República é o regime que melhor garante o valor da Igualdade dos cidadãos perante a lei, o da Liberdade responsável e o da Solidariedade e mutualidade de serviços.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

DR.GERMANO AMORIM


Breve Biografia
Germano José de Amorim nasceu na freguesia de Mazedo, Monção, a 7 de Abril de 1880.
Estudou em Guimarães e na Universidade de Coimbra.
Foi um dos líderes do movimento académico de 1907, que se iniciou em 28 de Fevereiro com o protesto impetuoso contra a reprovação do candidato José Eugénio Dias Ferreira às provas magnas de doutoramento. Tratava-se apenas de um pé-de-cantiga, pois os «estudantes, ao entrarem em greve no mês de Março de 1907, vieram insurgir-se afinal contra uma enfermidade quase crónica da escola lusitana, a qual, através dos tempos, fora gerando a insatisfação dos espíritos mais válidos e inconformistas, causando o pasmo cultural do país, desprestigiando-o no estrangeiro, enfraquecendo-lhe a estrutura económica, anemiando-lhe o organismo social». (1) O Conselho de Decanos expulsou os estudantes Alberto Xavier, Campos de Lima, Carlos Olavo, Freitas Preto, Pinho Ferreira, Pinto Quartim e Ramada Curto. A Universidade reabriu as suas portas por decretos governamentais datados de Maio. Foram concedidos os exames pelo governo franquista, mas dependiam de petição escrita por cada estudante para não perder o ano. No final do processo, numa manifestação de solidariedade para com os condiscípulos riscados, cento e sessenta alunos dos cursos de Direito, Medicina, Preparatórios Médicos, Filosofia e Matemática, recusaram-se «altiva e nobremente a requerer a matrícula para efeitos de exames.» (2) Entre eles, estava Germano José de Amorim, aluno do quarto ano da Faculdade de Direito. A rebeldia dos Intransigentes não foi em vão: a lei que amnistiou os estudantes que tinham sido obrigados a abandonar a Universidade não tardou para o demonstrar.
Germano Amorim, depois de concluir o curso, ocupou o cargo de Notário no Cartório dos Arcos de Valdevez (1909) e exerceu a advocacia e o jornalismo com grande popularidade.
Foi Director dos jornais arcoenses «Avante: pela Pátria e pela República» (1910-1911), «O Vez: órgão do Centro Republicano Democrático Arcoense» (1912.1914), «A Trombeta: semanário republicano» (1920) e deixou colaboração dispersa em vários periódicos do Alto Minho.
Em 1922, foi eleito deputado pelo círculo n.º 3 (Braga). Fez parte da Comissão de Infracções e Faltas e de Correios e Telégrafos. Mostrou interesse pelos processos de concessão de quedas da água, por melhoramentos na doca de Viana, pela rectificação das margens do Rio Lima e pela inovação da agricultura na região minhota. Criou um projecto de lei com o objectivo de ceder «à Câmara Municipal de Vieira do Minho o prédio que foi residência paroquial da freguesia de Roças, com o passal da mesma freguesia, para a instalação duma escola agrícola» (3) e assinou outro de camaradagem com o deputado Teófilo Carneiro que tinha em vista instituir «um adicional de 15 por cento nos concelhos do distrito de Viana do Castelo, sobre as contribuições industrial e predial e impostos sobre aplicação de capitais o valor de transacções, destinado à Junta de obras do Porto de Viana e Rio Lima.» (4) Ao longo da sua vida, não deixou morrer os velhos ideais e manteve-se sempre ao lado do povo.
Faleceu a 12 de Janeiro de 1971.


O Dr. Germano Amorim, deputado na Assembleia da República, Presidente da Câmara de Arcos de Valdevez, dirigiu várias publicações em prol da consolidação da República em Portugal e em prol do desenvolvimento Concelhio e Regional, "mandou" às instâncias do seu tempo instalar a luz eléctrica em Arcos de Valdevez, foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia e Jurista. Foi dos principais expoentes na luta e consolidação da República em Portugal.


Germano Amorim foi, provavelmente, a figura que mais se destacou em Arcos de Valdevez no período de implantação da República em Portugal.

A República acredita na meritocracia para todos, independentemente do sexo, crença, religião, origem ou qualquer outro factor que eventualmente possa ser potencialmente discriminatório.Essa é a grande lição de humanismo conciliatória com todos os cidadãos. Assim era o Dr. Germano Amorim.

NOTAS
(1) Mário Braga, Prefácio à obra de Natália Correia, A Questão Académica de 1907, Editorial Minotauro, Lisboa, s/d, pp. 9-10
(2) Alberto Xavier, História da Greve Académica de 1907, Coimbra Editora, Coimbra, 1962, pg. 277
(3) Diário da Câmara dos Deputados, Sessão de 21 de Janeiro de 1925.
(4) Diário da Câmara dos Deputados, Sessão de 4 de Março de 1925.

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