Um Blog dedicado a Germano José de Amorim, notável Jurista, Jornalista e Político Português, que se definia a si mesmo como Republicano, Laico e Livre Pensador.

sábado, 27 de fevereiro de 2010


DR. GERMANO AMORIM

Biografia


Germano Amorim (7 de Abril de 1880 - 12 de Janeiro de 1971) foi um jurista, jornalista e político português. Definia-se a si mesmo como republicano, laico e livre pensador.

Germano José de Amorim, conhecido por Germano Amorim, ou, Dr. Germano, nasceu na freguesia de Mazedo, Monção. Casou, no dia 11 de Setembro de 1909, com D. Joaquina Cândida Araújo Dias Amorim, natural da freguesia de Valadares (Monção), sendo uma das herdeiras da Casa da Amiosa da mesma freguesia do Concelho de Monção. Tiveram como filhos Bento Manuel de Araújo Amorim, Maria Albertina de Araújo Amorim Cerqueira, Virgínia Cândida de Araújo Amorim, Maria Júlia de Araújo Amorim de Sousa.[1]

Germano Amorim concluiu os seus estudos liceais em Guimarães. Viria a ser fundamental a ajuda do seu irmão, que era padre e residia naquela cidade exercendo lá o seu mister.

Licenciou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra no ano de 1905. Durante esse período viria a dar os seus primeiros passos na actividade política que viria a revelar-se rica.

Simultaneamente continua a sua actividade política em Arcos de Valdevez iniciada nos meios intelectuais e revolucionários da época na cidade académica de Coimbra. O contacto com intelectuais e nomes de referência da época, foram-lhe aguçando o gosto pela res publica, não mais tendo deixado de cessar a sua activíssima vida política. Iniciado na maçonaria na Loja Pátria, do Grande Oriente Lusitano, em Coimbra e Carbonário. Em 1907, foi um dos mais importantes activistas da celebérrima Greve Académica de Coimbra em 1907. Em 1909 Viria a estabelecer-se em Arcos de Valdevez tendo inicialmente assumido as funções de Notário no Cartório Notarial de Arcos de Valdevez.

Seria porém no exercício da advocacia que viria a notabilizar-se, sendo unanimemente considerado um tribuno de excelência. Em 23 de Outubro de 1910 Germano Amorim, cria o Centro Republicano Teixeira de Queiroz, que seria o primeiro em Arcos de Valdevez, mas que nunca chegaria a ser oficializado, sendo por isso, a 14 de Janeiro de 1912, novamente por iniciativa de Germano Amorim, substituído pelo Centro Republicano Democrático Arcoense e este sim, viria a perdurar. A criação deste Centro tinha como principal fim propagar as ideias democráticas e manifestar a sua oposição ao Administrador então nomeado. De referir que Germano Amorim era membro do Partido Democrático, considerado mais progressista que outras facções republicanas. Pertenciam a este Centro Republicano prestigiosos nomes locais tais como Tomaz Norton de Matos (médico e irmão do General Norton de Matos que mais tarde viria a notabilizar-se na política nacional), António da Silva Dias, Manuel Pimenta, Albano Azevedo Amorim, Alfredo Brito Lima, Américo Esteves, entre muitos outros.

Em 1922 foi eleito deputado da nação pelo círculo eleitoral de Braga nas listas do Partido Democrático, tendo exercido essas funções até ao ano de 1925 entre a 6.ª e 7.ª legislaturas.

Exerceu as funções de Presidente e de Presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez. No exercício deste cargo notabilizou-se a instalação, decorria o ano de 1925, da luz eléctrica em Arcos de Valdevez.

Foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Arcos de Valdevez, sendo o responsável pela criação das famosas cédulas, com um valor monetário variável, para serem inutilizadas em prol da Santa da Misericórdia de Arcos de Valdevez e da sua benemérita obra.

Além do mais, viria a notabilizar-se ainda como jornalista. Foi director de cinco jornais nos quais se incluem os seguintes:

  • O Avante;
  • Alvorada do Vez;
  • O Vez (também viria ser dirigido por Germano Amorim, José Cândido Gomes e Narciso de Faria Lima);[2]
  • A Trombeta (do qual viriam ainda a ser directores Álvaro de Aguiam e Camilo José de Carvalho);[3]
  • A Voz do Minho (Foram ainda directores José de Sousa Guimarães, Celestino Pinto da Cunha e António Ramos).

Foi portanto quem maior número de jornais dirigiu durante o período de implantação da República em Arcos de Valdevez.

Além dos dados biográficos brevemente descritos e para aprofundar a sua exactidão, Germano Amorim notabilizou-se pelo seu enorme altruísmo e sentido de fraternidade para com os mais desfavorecidos, essencialmente na prática da sua profissão, por prestar os seus serviços causídicos pro bonum. Ajudou sempre quem mais necessitava e esteve sempre ao lado dos mais fracos que mereciam esse empenho.

Foi provavelmente a figura que mais se destacou em Arcos de Valdevez no período de implantação da República em Portugal.

As suas guerras com a facção distinta presidida por Sousa Guimarães, também conhecido por Dr. Guimarães, viriam a marcar a vida política local para sempre, constituindo alguns desses episódios autênticos actos de inspiração para o exercício dos cargos no poder local. Os dois viriam a compatibilizar-se no futuro contra o Estado Novo, contra Salazar, a 5 de Julho de 1931, através de uma aliança Republicano–Socialista, constituindo-se para tal efeito uma Grande Comissão constituída pelo Dr. Germano, Dr. Guimarães, Dr. Tomaz Norton de Matos, Caetano de Faria Lima, entre outros nomes notáveis da época que infelizmente também têm sido esquecidos da memória colectiva arcuense e nacional. Viria a aderir ao Partido Republicano Federal, que congregava as diferentes visões republicanas, principalmente com a união do Partido Democrático e do Partido Liberal Republicano.

Referências


  1. Geneall.pt. Germano José de Amorim (em português). Página visitada em 25 de janeiro de 2010.
  2. Publicações Periódicas Portuguesas. Página visitada em 25 de janeiro de 2010.
  3. Publicações Periódicas Portuguesas. Página visitada em 25 de janeiro de 2010.
Fonte - Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Germano_Jos%C3%A9_de_Amorim

SE ÉS AMIGO DO BEM, INUTILIZA ESTA CÉDULA


O Ilustre Político, Jornalista, Jurista e Humanista Dr. Germano Amorim, também foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Arcos de Valdevez, e emitiu estas célebres Cédulas.

Esta excelente visão de Germano Amorim foi uma forma de ajudar quem mais necessitava, pois grão a grão podia-se ajudar quem mais precisava. A máxima "Se és amigo do bem inutilisa esta cédula", tinha uma função moral e ética em prol da Santa da Misericórdia de Arcos de Valdevez e da sua benemérita obra para com os mais desfavorecidos, porque durante a grave crise económica que afectou Portugal no final da Iª Grande Guerra e, essencialmente, nos anos imediatos ao pós-guerra, muitos cidadãos resolveram amealhar as moedas que se encontravam em circulação, visto que o valor do seu metal era superior ao próprio valor facial das moedas. Verificou-se, assim, uma falta significativa de moedas de valor facial mais baixo, pois o valor do seu metal era superior ao facial e quem mais precisava, não tinha acesso a elas, pelo que, estas cédulas foram emitidas por Germano Amorim para colmatar a falta de moedas e serem comercializadas entre os mais pobres e inutilizadas ética, moral e institucionalmente pelos mais "abastados"em prol da Santa da Misericórdia de Arcos de Valdevez e da sua benemérita obra para ajudar os mais desfavorecidos.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O CARTÃO QUE GERMANO AMORIM NÃO PASSOU A BARRETO


Cartão oferecido por Bissaya Barreto a Germano Amorim, quando eram colegas e companheiros de lutas na Universidade de Coimbra, fazendo parte da geração de estudantes da Greve Académica de 1907. Bissaya Barreto frequentava, na altura, o 1.º ano da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
Em Coimbra, Bissaya Barreto enquanto estudante, foi um republicano convicto. Com Germano Amorim, pertenceu, quando frequentava o 4.º ano de Medicina, ao comité civil da organização carbonária autónoma de Coimbra, "Carbonária Portugália", em Janeiro de 1910. Ao mesmo tempo, faz parte, em Coimbra, da loja maçónica Revolta (aliás, como todos os do comité de estudantes da Carbonária Portugália).
Participou, como delegado, no Congresso do Partido Republicano, realizado em Coimbra.
Após o golpe de Estado de 28 de Maio de 1926, Bissaya Barreto aderiu à União Nacional. O médico cultivou ao longo da vida uma longa e estreita amizade com António de Oliveira Salazar. Essa adesão e amizade, levou a que Germano Amorim se afastasse do seu antigo colega de lutas progressitas.
A nível político, Germano Amorim fez aquilo que se impunha, sendo posteriormente, destacado apoiante de Honra das candidaturas de Norton de Matos e de Humberto Delgado.

Com efeito, a obra de Bissaya Barreto conciliava elementos adversos, uns de inspiração modernista, como o seu excelente trabalho na medicina, outros de contornos fascistas, reflectindo o seu compromisso político com o reformismo autoritário, corporativista e ditatorial, que atingiu seu completo desenvolvimento teórico e prático na Itália Fascista, ajudando portanto, ao estabelecer de uma imensa quantidade de leis e organizações inspiradas do ideário corporativista, que conduziu o país ao isolamento, à polícia política, à violência, à censura, à ausência de liberdades públicas, ao atraso e miséria, e por último, à guerra. Existia a par de tudo isso, corrupção, (e de que maneira, abafada pela censura), nepotismo, muita pobreza, ignorância e isolamento arrogante.

Vivia-se então na ditadura salazarenta, a que o autor deste blog recusa dar o nome de segunda República.
"A Segunda República é esta em que vivemos depois do 25 de Abril, porque os princípios Republicanos essenciais são o princípio da supremacia de um parlamento legitimado pela vontade popular como órgão decisivo da organização do poder do Estado, sendo o outro princípio essencial, o princípio da limitação dos mandatos.”

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O DR. GERMANO AMORIM E O SELO COMEMORATIVO DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL

1ª Emissão Comemorativa da Independência de Portugal



Parecer que cria, pela Comissão da guerra, o selo comemorativo da Independência de Portugal.

O Dr. Germano Amorim e o seu importantíssimo contributo para a criação do selo comemorativo da Independência de Portugal, emitido pela primeira vez em 1926.

"Está em discussão o parecer n.° 923, que cria um selo comemorativo da independência de Portugal.
Foi lido. É o seguinte:
Parecer n.º 923
Senhores Deputados. - Pelo exame do projecto de lei n.º 917-0, respeitante à criação de um selo comemorativo da Independência de Portugal, verifica-se que se atendeu à celebração de duas datas notáveis e eminentemente patrióticas, sem qualquer encargo ou prejuízo para o Estado.
Verifica-se ainda que o mesmo projecto também visa a auxiliar três colectividades, a Liga dos Combatentes da Grande Guerra, a Sociedade Portuguesa da Cruz Vermelha e a Comissão dos Padrões da Grande Guerra, as quais têm sempre pugnado pelo bom nome de Portugal, e contribuído as duas primeiras para minorar dores e sofrimentos de muitos portugueses que souberam prestigiar a sua Pátria.
Por todos estes motivos, é a vossa comissão de correios e telégrafos de parecer que o projecto de lei de que se ocupa é inteiramente merecedor da vossa aprovação.
Sala das Sessões, 3 de Junho de 1925. - Américo Olavo - Custódio de Paiva - Germano Amorim - F. Dinis de Carvalho - Luís da Costa Amorim."


In - Diário da Câmara dos Deputados, 94ª sessão, 7 de Julho de 1925, pp. 4-7.

A Comissão Central 1° de Dezembro de 1640, fundada em 1861 para defender, propagandear e comemorar a Independência de Portugal e especialmente a Restauração de 1640, tinha em vista a aquisição do Palácio dos Condes de Almada, em Lisboa, para ali instalar um museu da Independência, assim como preparar para uma comemoração condigna, o 8° Centenário da Fundação de Portugal e 3° da Restauração da sua independência. Com o fim de conseguir fundos para a aquisição do palácio e para a prevista comemoração, resolveram emitir selos onde se reproduzissem os vultos mais notáveis da Fundação, Consolidação e Restauração da Independência, ou de factos mais importantes da nossa História, em sua defesa. A primeira série deste plano circulou em 1926 nos dias 13 a 14 de Agosto (data da Batalha de Aljubarrota), e 30 de Novembro a 1 de Dezembro (data da Restauração da Independência), mantendo-se a venda para fins filatélicos, até 28 de Setembro de 1927.

A emissão deste selo comemorativo da Independência de Portugal, que o Dr. Germano Amorim contribuiu de uma forma determinante, tinha por base dez selos. Foram desenhados por Eduardo Avelino Ramos da Costa. A gravura é de talha doce de George Harrisson e Norman Broad, na Thomas de la Rue, de Londres.

As cores da emissão de cada selo eram com o centro a preto e molduras com as cores que a imagem mostra. O primeiro selo a ser emitido foi de D.Afonso Henriques, de 4 centavos.

FONTE: http://www.primeirarepublica.org/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=435:1925-07-07&Itemid=17

O REFORÇO DE MEIOS FINANCEIROS E MATERIAIS PARA A QUALIDADE DE VIDA DE ARCOS DE VALDEVEZ E DO DISTRITO


DR.GERMANO AMORIM

Germano Amorim e Teófilo Carneiro reclamavam, quando eram deputados da 1ª República Portuguesa, o reforço de meios financeiros para a Junta das Obras do Porto de Viana do Castelo e das margens do Rio Lima, bem como pela inovação da agricultura em toda a região minhota.

A eles se devem muito essas obras, nomeadamente o financiamento para a restruturação do Porto de Viana, que era um porto de referência a partir da Idade Média, porque era na época dos Descobrimentos Marítimos Portugueses, o terceiro porto com maior afluência do país.

Outras obras de relevo e de grande envergadura do Dr. Germano Amorim foram também executadas quando exerceu as funções de Presidente da Câmara de Arcos de Valdevez, de Provedor da Santa Casa da Misericórdia e de Deputado à Constituinte. No exercício desses cargos, entre outras obras notáveis, notabilizou-se pela instalação, decorria o ano de 1925, da luz eléctrica em Arcos de Valdevez e da remodelação do Hospital de S. José.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Germano_Jos%C3%A9_de_Amorim

http://luisdantas.skyrock.com/2757909178-TEOFILO-CARNEIRO.html

COMBATE POLÍTICO E RENOVAÇÃO CULTURAL - A GREVE ACADÉMICA DE COIMBRA EM 1907

O Dr. Germano Amorim em Coimbra na greve Académica de 1907.



“Os lentes não são idolos ante os quaes os estudantes se curvem medrosos como os escravos antigos ou como os ignorantes… modernos. E se querem que sejam mumias, compete á mocidade protestar contra quem a obrigue a dobrar o joelho deante do que representa o passado em nome do presente e do futuro; em nome do progresso e da civilisação; em nome da Vida e da Humanidade. ”

Excerto de "O Combate", de 9 de Março de 1907, a propósito da Greve Académica da Universidade de Coimbra.

As universidades foram, ao longo da História, palco de movimentos de resistência organizada aos regimes políticos. Em Portugal são conhecidas algumas greves académicas, produtoras de forte impacto, como as de 1962 ou 1969. Este tipo de acontecimentos tem contudo registos históricos mais antigos.
Em 1907 o nosso país era governado por João Franco, conhecido por ser uma figura ditatorial. Vivia-se num clima politicamente tenso. Na Universidade de Coimbra, as agitações eram frequentes, ora a favor, ora contra o governo. Neste ano, a 1 de Março, apresentou “Conclusões Magnas” em provas de doutoramento, o licenciado José Eugénio Dias Ferreira. Contra o que seria de esperar foi reprovado. Este facto, tido como político e não académico, levou a uma greve geral dos estudantes, sendo apedrejados e insultados publicamente vários professores, nomeadamente membros do Júri, que tem mesmo de se esconder. Estes actos hostis provocam a reacção do governo. No dia seguinte, é ordenada a suspensão dos trabalhos escolares e consequente encerramento da universidade. Por seu lado, alguns professores republicanos, solidarizam-se com os estudantes, politizando o movimento. No dia 4, mais de trezentos estudantes, número considerável na época, viajam de comboio até Lisboa para procurar apoio. A 1 de Abril, o Conselho de Decanos da Universidade de Coimbra, expulsa sete estudantes, o que provoca a ira dos restantes. No dia 4 reabre a universidade, apenas para registar a greve geral dos estudantes. O conflito vai provocar mesmo reacção da oposição política, seja na imprensa, seja no Parlamento. Durante os meses de Março e Abril, o tema domina a Comunicação Social e a política nacional. A greve, reprimida com dureza pelas autoridades oficiais, mobiliza estudantes, mais tarde figuras públicas, como Trindade Coelho, Germano Amorim e Ramada Curto, e acaba por estender-se a outras universidades.
O jornal "O Combate", de 9 de Março de 1907 relata que … [A propósito da reprovação do Dr. José Eugénio Dias Ferreira] A academia portou-se altamente digna protestando contra essa reprovação, na qual vê mais um facto, além de tantos outros que há uns poucos d’annos se veem succedendo, demonstrativo do caracter inquesitorial… Não, José Eugenio Ferreira não foi reprovado por não saber. Foi reprovado por saber demais… por ter a ousadia de erguer bem alto o seu pensamento… O protesto dos academicos conseguirá iniciar um novo regimen? Estamos todos em expectactiva… Se houve uma iniquidade, como houve quanto ao nosso entender, que deu logar á revolta da academia é contra a iniquidade que o governo tem de voltar a sua força.
No mesmo jornal, de 6 de Abril de 1907, podemos ler que - "O governo leva por deante o espirito vingativo e auctoritario, mandando expulsar estudantes e apontar contra os que protestam as espingardas do exercito… Abre-se a Universidade e tenta-se obrigar os estudantes á pratica dum acto de rebaixamento, de indignidade, de covardia, já por incitamento aos paes desses estudantes avivando-lhe o mesquinho egoísmo interesseiro quanto a um anno perdido, já descendo á baixeza de insinuar – como foi insinuado no órgão franquista – que os lentes seriam benevolentes nos exames! Ao que se chega!!! [Mais abaixo vaticina que] … o conflicto academico será dentro de poucos dias, talvez dentro de poucas horas, uma questão nacional!"

Alguns excertos: http://arepublicano.blogspot.com/2007/04/pinto-quartin-e-greve-acadmica-de_06.html

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

POR QUE SOU REPUBLICANO

DR.GERMANO AMORIM

O Dr. Germano Amorim quando fazia aqui, nesta foto, parte do governo de Manuel Teixeira Gomes, que governou entre os governos de António José de Almeida e Bernardino Machado. José Domingues dos Santos era o Presidente do Conselho de Ministros do governo de Manuel Teixeira Gomes da Primeira República Portuguesa. José Domingues dos Santos pertenceu desde 1922, à Maçonaria e, como outros membros do seu governo, posteriormente manteve-se activo na oposição ao Estado Novo até ao início da década de 1950. Quando terminou a Segunda Guerra Mundial, a União Patriótica e Democrática, a que presidia, juntamente com o Dr. Germano Amorim, desenvolveu infrutiferamente intensa actividade junto dos governos dos Aliados com vista ao derrube do governo de Oliveira Salazar.



SOU REPUBLICANO porque acredito que a história da Humanidade comporta um sentido e que esse sentido tem o alcance de um reforço de Cidadania: enquanto membros de uma horda primitiva, os seres humanos foram os joguetes submissos de chefes brutais; enquanto súbditos de monarquias absolutas, a esmagadora maioria dos seres humanos foi alvo de violências vassálicas e de sujeições servis e de gleba; enquanto súbditos de monarquias constitucionais, a maior parte dos seres humanos sofreu toda a casta de discriminações censitárias e foi vítima do vexame de ser olhada como parte plebeia por aristocratas arrogantes e, na maior parte dos casos, sem méritos comprovados;

SOU REPUBLICANO porque a razão me demonstra que só sob o regime republicano estará plenamente garantido o sufrágio universal, cujo caminho se iniciou entre nós através da propaganda democrática de homens de cultura e de acção como o nosso ilustre Germano Amorim, Teófilo Braga, João Chagas, Manuel de Arriaga, António José de Almeida, Afonso Costa, José Falcão e tantos mais;

SOU REPUBLICANO porque quero lutar por um sistema político e social em que predomine cada vez mais o critério de eleição - e não de nomeação - e em que TODOS os cargos políticos não possam ser vitalícios e hereditários, devendo antes ser temporários e amovíveis;

SOU REPUBLICANO porque o estudo da História de Portugal me ensinou que as grandes reivindicações patrióticas, desde o repúdio do Ultimato inglês de 1890 à entrada em guerra, no primeiro conflito mundial, ao lado de potências democráticas como a França e a Inglaterra, foram causas assumidas pelo património de valores do republicanismo, ao passo que uma boa parte dos monárquicos do tempo foram passivos;

SOU REPUBLICANO porque quero para os meus filhos e netos um ensino público laico, ou seja, neutral em matéria religiosa. Isto significa que os meus valores me impedem de transigir com uma qualquer “religião de Estado”. A monarquia, mesmo na sua forma constitucional, nunca abraçou este princípio na nossa experiência histórica passada. A exigência da laicidade é hoje maior do que nunca, dado que o fenómeno da globalização nos fará viver cada vez mais num mundo plural de crenças e de culturas contrastadas. O Estado não deverá, assim, privilegiar uma forma de religião em detrimento de todas as demais, pois isso significaria que esse Estado estaria a privilegiar uma parcela de Cidadãos em detrimento dos demais;

SOU REPUBLICANO porque foi a República que instituiu um serviço público de registo civil, contemplando os momentos decisivos da vida humana: tornou obrigatórios os registos civis de baptismo, de casamento e de óbito. O que isto representou para o planeamento progressivo da Grei e para o reforço do princípio da solidariedade nacional foi (e é) verdadeiramente incalculável;

SOU REPUBLICANO porque foi a República que conseguiu reduzir as taxas de analfabetismo para patamares aceitáveis, sendo certo que em 5 de Outubro de 1910 cerca de três quartos da população portuguesa não sabia ler, nem escrever, nem contar;

SOU REPUBLICANO porque foi a República que permitiu o casamento civil e estatuiu o recurso ao divórcio, sempre que os cônjuges entendessem que a relação conjugal se tinha depreciado e tornado inviável;

SOU REPUBLICANO porque prezo e defendo a Res Publica, entendendo por isto a Casa Comum dos portugueses, o domínio público, o património edificado e imaterial que o nosso Povo foi construindo ao longo de gerações; e porque acredito, portanto, que o serviço público é o mais meritório e abnegado dos serviços que o Cidadão pode prestar, desde o do médico que trabalha num hospital público ao do professor que ensina numa escola pública ou ao do pedreiro que serve com a sua força de trabalho as obras públicas. Servir a Res Publica, a Coisa Pública, a Casa Comum dos portugueses, é contribuir, portanto, para a mais nobre e inviolável das causas: a causa da Democracia;

SOU REPUBLICANO porque não acredito em castas privilegiadas e não aceito servir famílias “notáveis”; a única família notável que reconheço é a dos portugueses no seu todo;

SOU REPUBLICANO porque outros títulos de nobreza que não sejam os do trabalho, do mérito, da qualidade de serviço e da honrada labuta quotidiana são por mim encarados como as excrescências de um mundo velho, apenas destinados a adornar o tecido social com ridículas fatuidades ou com pequenas vaidades inconsequentes;

SOU REPUBLICANO porque quero ver um Cidadão mandatado pela maioria dos meus Concidadãos no exercício da suprema magistratura da Nação e porque quero reservar para o universo desses Concidadãos a revogação desse mandato, sempre que tal cargo não seja exercido de acordo com os superiores interesses da Pátria (que somos todos nós);

SOU REPUBLICANO porque acredito que a República é o regime que melhor garante o valor da Igualdade dos cidadãos perante a lei, o da Liberdade responsável e o da Solidariedade e mutualidade de serviços.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

DR.GERMANO AMORIM


Breve Biografia
Germano José de Amorim nasceu na freguesia de Mazedo, Monção, a 7 de Abril de 1880.
Estudou em Guimarães e na Universidade de Coimbra.
Foi um dos líderes do movimento académico de 1907, que se iniciou em 28 de Fevereiro com o protesto impetuoso contra a reprovação do candidato José Eugénio Dias Ferreira às provas magnas de doutoramento. Tratava-se apenas de um pé-de-cantiga, pois os «estudantes, ao entrarem em greve no mês de Março de 1907, vieram insurgir-se afinal contra uma enfermidade quase crónica da escola lusitana, a qual, através dos tempos, fora gerando a insatisfação dos espíritos mais válidos e inconformistas, causando o pasmo cultural do país, desprestigiando-o no estrangeiro, enfraquecendo-lhe a estrutura económica, anemiando-lhe o organismo social». (1) O Conselho de Decanos expulsou os estudantes Alberto Xavier, Campos de Lima, Carlos Olavo, Freitas Preto, Pinho Ferreira, Pinto Quartim e Ramada Curto. A Universidade reabriu as suas portas por decretos governamentais datados de Maio. Foram concedidos os exames pelo governo franquista, mas dependiam de petição escrita por cada estudante para não perder o ano. No final do processo, numa manifestação de solidariedade para com os condiscípulos riscados, cento e sessenta alunos dos cursos de Direito, Medicina, Preparatórios Médicos, Filosofia e Matemática, recusaram-se «altiva e nobremente a requerer a matrícula para efeitos de exames.» (2) Entre eles, estava Germano José de Amorim, aluno do quarto ano da Faculdade de Direito. A rebeldia dos Intransigentes não foi em vão: a lei que amnistiou os estudantes que tinham sido obrigados a abandonar a Universidade não tardou para o demonstrar.
Germano Amorim, depois de concluir o curso, ocupou o cargo de Notário no Cartório dos Arcos de Valdevez (1909) e exerceu a advocacia e o jornalismo com grande popularidade.
Foi Director dos jornais arcoenses «Avante: pela Pátria e pela República» (1910-1911), «O Vez: órgão do Centro Republicano Democrático Arcoense» (1912.1914), «A Trombeta: semanário republicano» (1920) e deixou colaboração dispersa em vários periódicos do Alto Minho.
Em 1922, foi eleito deputado pelo círculo n.º 3 (Braga). Fez parte da Comissão de Infracções e Faltas e de Correios e Telégrafos. Mostrou interesse pelos processos de concessão de quedas da água, por melhoramentos na doca de Viana, pela rectificação das margens do Rio Lima e pela inovação da agricultura na região minhota. Criou um projecto de lei com o objectivo de ceder «à Câmara Municipal de Vieira do Minho o prédio que foi residência paroquial da freguesia de Roças, com o passal da mesma freguesia, para a instalação duma escola agrícola» (3) e assinou outro de camaradagem com o deputado Teófilo Carneiro que tinha em vista instituir «um adicional de 15 por cento nos concelhos do distrito de Viana do Castelo, sobre as contribuições industrial e predial e impostos sobre aplicação de capitais o valor de transacções, destinado à Junta de obras do Porto de Viana e Rio Lima.» (4) Ao longo da sua vida, não deixou morrer os velhos ideais e manteve-se sempre ao lado do povo.
Faleceu a 12 de Janeiro de 1971.


O Dr. Germano Amorim, deputado na Assembleia da República, Presidente da Câmara de Arcos de Valdevez, dirigiu várias publicações em prol da consolidação da República em Portugal e em prol do desenvolvimento Concelhio e Regional, "mandou" às instâncias do seu tempo instalar a luz eléctrica em Arcos de Valdevez, foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia e Jurista. Foi dos principais expoentes na luta e consolidação da República em Portugal.


Germano Amorim foi, provavelmente, a figura que mais se destacou em Arcos de Valdevez no período de implantação da República em Portugal.

A República acredita na meritocracia para todos, independentemente do sexo, crença, religião, origem ou qualquer outro factor que eventualmente possa ser potencialmente discriminatório.Essa é a grande lição de humanismo conciliatória com todos os cidadãos. Assim era o Dr. Germano Amorim.

NOTAS
(1) Mário Braga, Prefácio à obra de Natália Correia, A Questão Académica de 1907, Editorial Minotauro, Lisboa, s/d, pp. 9-10
(2) Alberto Xavier, História da Greve Académica de 1907, Coimbra Editora, Coimbra, 1962, pg. 277
(3) Diário da Câmara dos Deputados, Sessão de 21 de Janeiro de 1925.
(4) Diário da Câmara dos Deputados, Sessão de 4 de Março de 1925.

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