Um Blog dedicado a Germano José de Amorim, notável Jurista, Jornalista e Político Português, que se definia a si mesmo como Republicano, Laico e Livre Pensador.

quarta-feira, 3 de março de 2010

O CONGRESSO DE BEJA EM 1926





Jornal “A Capital” Nº5221 de segunda-feira, 26 de Abril de 1926.


Congresso da Esquerda Democrática em Beja, 24, 25 e 26 de Abril de 1926.



Os Republicanos de Beja enviaram 81 delegados que, pela sua boca, afirmavam estarem dispostos a tudo sacrificar pelo engrandecimento da pátria e pelo prestígio da República.

A Sessão abriu às 15 horas sendo presidida pelo Dr. Soveral Rodrigues, de Beja sendo o Vice-Presidente, o nosso Dr. Germano Amorim.

Importa referir que, neste congresso, também esteve presente o delegado do Procurador da República de Ponte da Barca.

O congresso tratou da proclamação dos Corpos directivos da Esquerda Democrática e de questões judicias relativas a assistência judiciária, tribunais de árbitros avindores e justiça gratuita.

Ficou patente no Congresso o espírito que presidiu aos debates, onde se concluiu que a designação do Partido Republicano da Esquerda Democrática abrangia todas as aspirações políticas de ordem social que, porventura, se pudessem incluir num partido constitucional que esperava fazer triunfar as suas ideias dentro das leis e em plena paz, defendendo a justiça, a equidade e a liberdade.

O Congresso pronunciou-se também contra as tendências isoladas de certos políticos que esperavam a consolidação de posições na implantação de um regime fascista.


E como eles adivinharam...


Importa referir que o Presidente do Partido Republicano da Esquerda Democrática era José Domingues dos Santos, nascido em Matosinhos, a 5 de Agosto de 1885, filho de uma família de lavradores modestos.

Estudou em Coimbra, formando-se em Direito, sendo contemporâneo de Germano Amorim no último ano deste, na faculdade de Coimbra, encontrando-se depois em 1924 no governo, quando José Domingues dos Santos era o Presidente do Conselho de Ministros do governo de Manuel Teixeira Gomes da Primeira República Portuguesa, e Germano Amorim deputado.

Durante o ensino primário, que fez na sua localidade natal, José Domingues dos Santos revelou-se um aluno brilhante e esforçado. Como a modéstia social da família não lhe permitia aspirar a estudos liceais, como era norma na época, ingressou no Seminário Maior do Porto, onde concluiu o Curso Teológico. Não tendo vocação para o sacerdócio, não se ordenou padre, ingressando então no curso de Direito da Universidade de Coimbra.
Pertenceu, pelo menos desde 1922, à Maçonaria.
A luta partidária que se esboçava e que José Domingues dos Santos pugnava, foi cortada com Movimento de 28 de Maio, que pôs termo à Primeira República Portuguesa e em pouco tempo eliminou as liberdades democráticas e proibiu os partidos políticos. Inconformado com esta situação, dentro da tradição política anterior de permanente golpismo, José Domingues dos Santos toma parte activa na Revolta de 3 de Fevereiro de 1927, uma tentativa falhada de derrube da Ditadura Nacional que entretanto se instalara.Manteve-se activo na oposição ao Estado Novoe o no fim da Segunda Guerra Mundial, a União Patriótica Democrática a que presidia, desenvolveu infrutiferamente intensa actividade junto dos governos dos Aliados
com vista ao derrube do governo de Salazar.

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